Doença de Peyronie -

Doença de Peyronie
Pouco frequente (0,4 a 3% dos homens adultos), a doença de Peyronie é muitas vezes dolorosa e a origem de preocupação. Responsável pela deformação do pénis, esta doença tem o nome do médico que a descreveu pela primeira em 1743: François Gigot de La Peyronie, Cirurgião-Mor  do rei francês Louis XV.
 
Sinais e sintomas:
Antes mesmo de se verificarem a presença de placas a erecção pode ser dolorosa. Uma vez as placas aparecidas a dor desaparece a maior parte das vezes.Aparece então uma curvatura do pénis durante a erecção.  
  • Erecção dolorosa;
  • Encurvamento ou até deformação do pénis durante a errecção;
  • Presença de um espessamento ou placa num ou mais lados do pénis;
  • Disfunção eréctil;
  • Encurtamento peniano;
Uma placa fibrosa aparece sobre a túnica que envolve os corpos cavernosos (Albugínea); estes permitem a errecção ao encherem-se de sangue. Com a doença, ao perder em parte a sua elasticidade, é impedida a expansão normal do pénis na errecção.A cicatriz que se desenvolve provoca um encurvamento para o mesmo lado e, mesmo persistindo a curvatura pode desaparecer a dor. Estas placas são por vezes facilmente palpáveis.

 

Causas

 

Não é clara a fisiopatologia da doença de Peyronie; existe um certo número de teorias mas a causa exacta permanece desconhecida.
  • Traumatismo peniano (no contexto de accidentes ou relações sexuais vigorosas). Pequenas lesões seguidas de uma cicatrização anormal que leva ao desenvolvimento de uma placa dura, logo por baixo da pele do pénis, que se desenvolve por fibrose e calcificação, resultando na deformidade;
  • Doença autoimune. Alguns estudos sugerem uma causa autoimune, no entanto, a doença não está relacionada com outras doenças autoimnues tais como a artrite reumatoide ou o lupus eritematoso;
  • Anomalias do colagénio. Causa genética de doença das proteinas do tecido conjuntivo;
  • Medicação. Possível efeito secundário dos beta-bloqueantes (usados no tratamento de doenças cardiovasculares, glaucoma, eclerose múltipla,…)
Factores de risco:
  •  Idade: 2/3 dos doentes tem entre 40 e 60 anos. Com a diminuição da elasticidade do pénis, aumentará a probabilidade de lesões traumáticas;
  • Hereditariedade;
  • Outras doenças envolvendo tecidos endurecidos. Cerca de um terço dos homens com doença de Peyronie desenvolvem places endurecidas em outras áreas do corpo, tais como as mãos ou os pés, tal como na contractura de Dupuytren.
Complicações:
A doença de Peyronie pode tornar as relações sexuais dolorosas difíceis ou até impossíveis consoante o grau de curvatura. Por vezes a doença é sentida com desconforto, vergonha, ou até encarada como uma monstruosidade ou a perda da virilidade, implicando repercussões psicológicas importantes no doente ou no casal.
 
 

 

Evolução:

 

Em alguns casos a doença de Peyronie pode sarar por si só, noutros a curvatura ganha importância, traduzindo-se em crescente desconforto. Geralmente estabiliza num determinado ângulo após 2 a 3 anos.
 
 

 

Tratamento:

 

Poderão ser propostos vários tratamentos orais (Vitamina E, Tamoxifeno, Aminobenzoato de Potássio – Potaba-, Verapamil, Colchicina, Procarbazina…), no entanto a sua eficácia permanece muito limitada.
As injecções intra-lesionais (Colagenase, Verapamil, Interferão…) destinam-se a inverter o processo de fibrose. Os resultados desta modalidade terapêutica são variaveis.
Nos casos de desconforto evidente é recomendável uma intervenção cirúrgica. A ponderação da cirurgia será feita face às possíveis consequências, nomeadamente um encurtamento peniano (até 2 cm). A operação de Nesbit, o recurso a enxerto de placa de tecido conjuntivo ou a implantação de uma prótese peniana, são as técnicas cirúrgicas mais frequentes.
 
António Patrício.